Cuba perde poeta dissidente a dias de manifestação histórica – Sylvia Colombo

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Era com apreensão e esperança que o poeta e jornalista Raúl Rivero vinha acompanhando os acontecimentos em Cuba, que está às vésperas de uma nova manifestação anti-regime, convocada para o próximo dia 15. Apesar de viver exilado em Miami, o escritor estava em contato com os militantes na ilha e colocava expectativas na renovação do time dos opositores da ditadura.

Um ataque cardíaco o impediu de ver o desenrolar dessa história. No último sábado (6), Rivero morreu, aos 75, sem ver o fim de um regime pelo qual, no começo, lutou e defendeu, tornando-se depois um opositor por ele perseguido. Assim como o o escritor Cabrera Infante, a cantora Celia Cruz e centenas de outros, Rivero terminou seus dias no exílio.

Poeta e jornalista, Rivero era parte de um grupo conhecido como “os 75”, grupo de dissidentes que a repressão prendeu em uma operação que durou três dias em março de 2003 e ficou conhecida “Primavera Negra”. Condenados, as penas para esse grupo variaram de 8 a 30 anos, e houve fortes rumores na época que se aplicaria também a pena de morte, o que acabou não se concretizando.

Sobre Rivero, caiu uma sentença de 20 anos de prisão. Mas, no ano seguinte, depois de uma forte campanha internacional, com o apoio de intelectuais de outros países, como o peruano Vargas Llosa e o chileno Jorge Edwards, o poeta foi solto, com a condição de que saísse do país. Primeiro, foi à Espanha, que lhe ofereceu a nacionalidade. Nos últimos anos, vivia e trabalhava em Miami.

Antes de se frustrar com a Revolução, Rivero chegou a fazer parte de um grupo armado que combatia os anticastristas. Depois, atuou em veículos alinhados ao regime, como o Prensa Latina, do qual foi correspondente em Moscou entre 1973 e 1976 e enviado a vários países da então Europa do leste e a Coreia do Norte. Também foi um dos fundadores da revista El Caimán Barbudo, uma das pioneiras na narrativa de não-ficção da América Latina, da qual também participou Leonardo Padura.

Em 1991, incomodado com a censura e a existência de presos políticos, Rivero assinou a famosa “Carta de los Diez”, que reunia nomes famosos que pediam a redemocratização da ilha. Passou a fazer um jornalismo de oposição, a partir da agência que ele mesmo criou, a Cuba Press.

No exílio, aproximou-se mais da poesia. É autor de mais de 15 livros, entre eles “Estudios de La Naturaleza”, “Sin Pan y Sin Palabras”, “Herejías” e “Provas de Contato”, lançado no Brasil (Barcarola). Ganhou diversos prêmios literários, como o Ortega y Gasset.

Nos últimos dias, ele e a mulher, Blanca Reyes, uma das líderes de outro grupo dissidente, as Damas de Blanco, tinham a atenção colocada no que pode ocorrer na ilha na próxima semana.

Sua morte marca uma mudança de geração dos que pedem liberdades e democracia na ilha.                                                 

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