Cruzeiro aposta em novidade com Ronaldo, e São Paulo afunda com velhos donos – 20/12/2021 – Renata Mendonça

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O anúncio de que Ronaldo comprou 90% das ações do Cruzeiro repercutiu mundialmente nos últimos dias. Assim, o clube celeste se tornou, oficialmente, o primeiro da elite do futebol brasileiro com “dono”. E o dono não poderia ser um personagem mais interessante. Simplesmente, o Fenômeno.

Ainda não se sabe se essa operação será ou não bem-sucedida, mas as expectativas são do tamanho da repercussão que a notícia teve. A SAF do Cruzeiro será uma experiência diferente para o futebol brasileiro e muita gente ainda se pergunta se esse é o caminho para salvar os clubes financeiramente quebrados: entregá-los a investidores, acionistas majoritários ou, enfim, donos.

Mas engana-se quem pensa que o futebol brasileiro não tinha “donos” antes disso. Porque os grandes clubes são grandes “associações” na teoria, mas pequenos feudos na prática. E esses donos são ainda piores, porque não carregam qualquer responsabilidade jurídica pelos rombos e desastres que causam e deixam nos clubes para os quais dizem torcer.

O que aconteceu com o Cruzeiro no sábado me fez refletir sobre o que havia acabado de acontecer com o São Paulo um dia antes, na sexta. Uma reunião promoveu a mudança de estatuto mais retrógrada, e covarde, que já se viu nos tempos recentes de futebol brasileiro.

Covarde porque, com medo de protestos, os dirigentes decidiram fazer a reunião de forma online com a desculpa da preocupação com a pandemia. Preocupação enorme, como pôde-se notar neste fim de semana em que Julio Casares e seus comparsas se reuniram presencialmente num churrasco para celebrar o ano e o golpe que sua gestão deu ao aprovar esse estatuto antidemocrático.

O São Paulo não tem um dono formal, como o Cruzeiro tem agora com Ronaldo. Mas tem alguns donos que pouco a pouco foram levando o clube ao retrocesso.

Entre os itens aprovados na reforma do estatuto estão a reeleição, para beneficiar o próprio Julio Casares, que um dia foi contra essa medida —mas, depois que chegou ao poder, curiosamente mudou de opinião; aumento do mandato de conselheiros, que agora não têm limite para a reeleição; e a mais surreal: permissão para perseguição política a quem ameaçar a “integridade moral” ou “harmonia social”, com perda do direito de voto.

O São Paulo é um dos poucos clubes grandes do Brasil a não permitir a participação de sócios-torcedores na sua eleição. A voz da torcida, que inclusive protestou contra a mudança do estatuto, foi sumariamente ignorada. Todos os itens a serem discutidos e votados nessa reunião estavam sendo mantidos em sigilo e só foram revelados pelo trabalho brilhante de jornalistas como Pedro Lopes, do UOL, e Rodrigo Capelo, do Grupo Globo.

Este último escreveu o livro “O futebol como ele é”, em que o primeiro capítulo cita alguns casos que fizeram o São Paulo ser reverenciado como clube “moderno” no passado. A construção do estádio do Morumbi, a criação de um Centro de Treinamento próprio, o protagonismo na primeira negociação de direitos de TV de um campeonato por aqui, tudo isso mostrava o quanto o São Paulo viu, antes de muitos outros clubes, que o futebol precisava de um tratamento cada vez mais profissional.

Os mesmos nomes citados ali como referências para essa “modernidade” fazem parte do contexto político do clube até hoje. Carlos Miguel Aidar, Leco, Julio Casares… Os três últimos presidentes do São Paulo eram os protagonistas do clube há 40, 50 anos, e seguem ali —com a diferença que pararam no tempo, assim como o São Paulo que comandaram/comandam recentemente.

Com esses “donos”, o São Paulo fica cada vez mais perto de naufragar.


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Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original

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