Copinha nos faz lembrar futebol real, distante do mercado dos milhões – 10/01/2022 – Renata Mendonça

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O futebol não é feito dos milhões de reais envolvidos nas transações dos grandes jogadores para os principais clubes do mundo. O futebol real é feito de Moeda, Tomate, Pendências, Ureia… Esses caras que a Copa São Paulo de juniores nos apresenta e de que talvez a gente nunca mais ouça falar. Mas não podemos mais esquecer: o futebol é, essencialmente, deles.

São mais de 3.000 jogadores em 128 clubes buscando aproveitar a vitrine da Copinha para realizar o sonho de criança: ser jogador de futebol. É triste constatar isto, mas a verdade é que a maioria desses atletas vai terminar a carreira frustrada. Porque o futebol que a gente vê na TV o ano todo é a realidade de uma porcentagem muito pequena de um universo gigantesco que só fica evidente para nós em janeiro, durante a Copinha.

Um estudo da Ernst & Young encomendado pela CBF mostrou que, considerando o cenário do futebol nacional em 2018, 55% dos jogadores de futebol no Brasil ganhavam até R$ 1.000. Os salários astronômicos ficavam para 1% dos atletas, que recebia acima de R$ 100 mil. E aqueles que têm rendimentos literalmente milionários não chegam a 0,1% do universo total.

Quando o goleiro Tomate, do Andirá-AC, deixou o campo chorando após ter sido substituído no momento em que o Atlético-MG cobraria o pênalti marcado contra a sua equipe, ele sabia que ali era seu último momento de ser visto e, quem sabe, conseguir uma chance de sustento pelo futebol.

Foram várias defesas ao longo daquela partida que garantiram o 0 a 0 no placar até aquele pênalti. Se pegasse a cobrança, o goleiro sairia consagrado, quem sabe com a oportunidade de um contrato profissional em algum clube de maior expressão.

A Copinha muitas vezes é a única ou a última chance para atletas do país inteiro continuarem sonhando com o futebol como profissão. Para aquele jogador, que já passou por tantas decepções e tantos percalços na vida, o futebol pode ser sua última esperança.

A história do Weslley Patati, do Santos, por exemplo, é uma das que devem ter final feliz com o garoto brilhando na Vila Belmiro entre os profissionais. Mas, não há muito tempo, ele quase desistiu. O menino nascido em Presidente Dutra, no Maranhão, recebeu contato aos 15 anos para fazer um teste em Jataí (GO) e lá foi abandonado. Weslley Patati passou fome e teve que superar muitas adversidades para conseguir uma vaga na base do Santos.

Rwan Seco, seu entrosado parceiro no ataque, é outro que por pouco não desistiu. Durante a pandemia, foi trabalhar com o pai como ajudante de pedreiro e já não via mais esperanças no futebol até ser tirado do Flamengo de Guarulhos pelo Santos.

A Copa São Paulo é um retrato do nosso futebol. Dali sairão algumas histórias com final feliz, com jogadores firmando contratos profissionais e brilhando nos grandes clubes. Mas a maioria deles precisará buscar caminhos além dos gramados. É por isso que o futebol não pode só formar jogadores –precisa formar seres humanos.

“Os clubes deveriam se preocupar efetivamente em estruturar essas crianças que chegam. Não só colocar na escola, mas fazer aprender, ter assistente social, psicólogo junto. Para você fazer isso, precisa de um investimento alto. E aí você vai entregar para a sociedade pessoas melhores. Porque é uma minoria que vai virar jogador”, disse o técnico Fernando Diniz, em entrevista ao “Bola da Vez”, da ESPN, em 2017.

O futebol, além de representar ascensão social, pode ser uma ferramenta de transformação social. A ascensão vem, infelizmente, ainda para pouquíssimos. Se a gente trabalhar melhor a base, essa transformação poderá vir para todos.


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