Contra Trump, ‘um dos erros mais notáveis na história jornalística’ – 19/11/2021 – Nelson de Sá


Há quatro anos sem ombudsman, o New York Times não trata do assunto diretamente, mas passou a semana cercando o desastre jornalístico do dossiê Steele, um relatório pago pela campanha de Hillary Clinton contra Donald Trump.

Suas 35 páginas saíram na íntegra, em 2017, no site BuzzFeed, então editado por Ben Smith, hoje colunista de mídia do NYT. Listava supostos fatos que tornariam Trump refém do governo russo.

Na terça (16), o NYT publicou o artigo de um acadêmico, dizendo no título que “O dossiê Steele indiciou a mídia“.

Em suma, “ele foi desacreditado pelo indiciamento de uma fonte importante, deixando os jornalistas a avaliar como tantos foram levados tão facilmente”. Evitando citar Smith, o texto se concentrou porém no papel do BuzzFeed.

O indiciamento foi neste mês, e o Washington Post, na sequência, tirou do ar trechos de reportagens e um vídeo.

Na quinta (18), o NYT entrevistou a editora do WPost, Sally Buzbee, que defendeu a atuação do jornal à época, dizendo que “jamais publicou o dossiê ou coisa do gênero”. Ao que o NYT comentou: “Entendi. Vocês não são o BuzzFeed“.

Talvez Ben Smith acabe renegando sua decisão de 2017, mas não dá sinais de que vá fazê-lo. À Columbia Journalism Review, disse que “cheira a hipocrisia o fato de os principais veículos estarem dançando sobre a carcaça do dossiê“, quando eles “usaram o fato de o BuzzFeed publicá-lo para alimentar seu ‘loop’ infinito de comentários sobre o dossiê”.

Entre outros, também embarcaram à época o Wall Street Journal, a CNN e a MSNBC.

Um dos jornalistas que mais atuaram na lenta desconstrução da cobertura do dossiê Steele, Matt Taibbi, hoje no Substack, escreveu que tudo indica que “Smith será jogado do barco“, como Judith Miller.

É a repórter do NYT que há duas décadas noticiou indícios de armas de destruição em massa no Iraque, abrindo caminho para a invasão. Outros, que agiram como ela, “saíram ou ilesos ou promovidos”.

A pressão por “acerto de contas” maior prossegue, inclusive sobre o WPost, que ganhou Pulitzer pela cobertura. O tom é violento, nos veículos que não embarcaram. O Axios diz ser “um dos erros mais notáveis na história jornalística moderna” no país e chama de “O grande fracasso da mídia“.

O DESABAFO DE HU XIJIN

O célebre editor do Global Times/Huanqiu, Hu Xijin, desabafou no Weibo, no dia do jornalista na China:

“Falando francamente, os profissionais de mídia vêm sendo sujeitados a restrições crescentes, e a maioria delas vem de departamentos do governo e de governos locais, que exigem cooperação estreita, cobrando o que a mídia deve ou não reportar. Quanto maior a interferência, menos entusiasmo terão os jornalistas.”


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