Com natureza exuberante, Botucatu quer virar estância turística – 29/09/2021 – Turismo

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Localizada no interior de São Paulo, com pouco mais de 146 mil habitantes, Botucatu ganhou repercussão nacional em maio deste ano. O município, a 245 km da capital, foi escolhido como palco de um estudo sobre o imunizante da AstraZeneca contra a Covid-19, realizado pela universidade Oxford, de Londres, e pela faculdade de medicina da Unesp (Universidade Estadual Paulista), que fica na cidade.

Toda a população adulta da cidade foi vacinada em apenas um dia. Naquele momento, com a imunização atrasada no país, é possível que todo brasileiro tenha desejado ser botucatuense. No dia da segunda dose, em agosto passado, a repercussão foi a mesma.

A cidade da vacinação em massa, como ficou conhecida, é também uma boa opção para quem busca ecoturismo e aventuras radicais como voo de parapente, escalada, ciclismo nas montanhas, rapel e atividades náuticas.

A riqueza natural local explica o interesse que a cidade vem despertando em turistas. A região de Botucatu possui 80 cachoeiras, Mata Atlântica, cerrado, diversas trilhas e a Cuesta, uma formação de relevo que pode chegar a até mil metros de altura.

Os baixos gastos de uma visita também atraem os turistas. Além do custo de vida mais barato se comparado ao da capital paulista, a maioria dos passeios em Botucatu é gratuita. No caso das poucas cachoeiras e locais de visitação que cobram entrada, ela não passa de R$15.

“Estamos trabalhados para fortalecer o turismo. Quando as pessoas vêm pela primeira vez, ficam surpreendidas pela beleza natural e pelo cuidado da cidade. Os visitantes ficam em choque por nunca terem ouvido falar de Botucatu”, relata o guia turístico e presidente do Conselho Municipal de Turismo Cristiano Vieira.

Botucatuense, 40 anos, Vieira antes trabalhava como cabeleireiro. Em 2014, conta ter percebido o potencial turístico a ser explorado na cidade, e abriu uma agência de turismo. Hoje, Vieira tem uma equipe de guias que trabalham para ele e auxiliam os visitantes.

“Estamos em um lugar único do estado. O potencial turístico é enorme e tem crescido muito. De uns seis anos para cá, Botucatu se destacou e a tendência é só crescer. Cada vez mais me procuram para atividades na nossa região. A cidade tem trabalhado para que isso se desenvolva”, diz.

Em setembro deste ano, Botucatu foi sede do Festival Brasil Ride, um dos maiores do calendário de ciclismo do país. No circuito, um dos pontos obrigatórios aos ciclistas era a base da nuvem, uma área privada com um mirante de frente para a Cuesta.

Além de rallies e trilhas, o local abriga também a escola de voo livre de parapente, que desde 2002 tornou- se referência no país.

“A região que estamos hoje não era conhecida pelo ecoturismo. Não tinha nada. O voo livre foi uma das primeiras engrenagens para o turismo ecológico de Botucatu. As pessoas iam para ver os voos e acabavam descobrindo as trilhas, os rallies e o mirante para assistir o sol nascer atrás da Cuesta”, conta Edson Caetano, proprietário da escola de voo livre de parapente e arrendatário da base da nuvem.

A escola administrada por Caetano tem hoje 58 associados que podem fazer voos sozinhos. Turistas também podem voar por cima da Cuesta –acompanhados de um instrutor, os voos turísticos custam R$200 por pessoa.

“O voo livre destacou Botucatu, foi um local de campeonatos importantes. O último foi o paulista. E, financeiramente, dá retorno para os moradores locais. Os proprietários da região pararam com a criação de gado e vivem hoje do ecoturismo. Só precisamos de mais investimento dos empresários da cidade”, avalia Caetano.

Em 2018, a cidade de Botucatu ganhou o título de interesse turístico pelo Estado de São Paulo. Com isso, recebe uma verba anual de R$ 800 mil para investir nesse segmento. A meta, no entanto, é tornar Botucatu uma estância turística, para receber ainda mais verba e reconhecimento do Estado.

“O turismo aconteceu de forma natural aqui, fomos aos poucos descobrindo. E não foi uma política pública induzida pelo município, reconheço essa falha. Passamos por muitas coisas, mas agora conseguimos tirar a cabeça para fora e olhar o potencial que temos”, diz o prefeito da cidade, Mario Pardini.

Pardini relata que, nos últimos anos, houve maior procura de empresários interessados em investir na cidade, principalmente do setor hoteleiro.

“Nós temos que capacitar o empresariado para o turismo na cidade. Para fazê-los entender o potencial que tem Botucatu. Estamos nos preparando para que, daqui a cinco ou dez anos, sejamos uma estância turística para movimentar a economia”, planeja.

“Queremos capacitar a mão de obra em parceria com o Senac para a população também lucrar com nosso turismo. Há um potencial enorme que precisa ser explorado”, analisa.

Os produtos orgânicos também são chamariz de turistas. Botucatu é referência do segmento com seu bairro da Demétria, onde é possível encontrar feiras semanais, organizadas pelos produtores locais.

A boa reputação se deve à Estância Demétria, a primeira fazenda biodinâmica do Brasil, criada em 1974 pelo empresário Pedro Schmidt —no passado, com mais de uma centena de funcionários, o local cultivava verduras e ervas medicinais em uma área de trinta hectares.

O Demétria fica na região rural, a 10 km do centro, onde há bons bares e restaurantes, como é o caso do Celeiro, que serve grelhados e opções vegetarianas e sem glúten. Entre as cachoeiras, são boas pedidas a Cachoeira Demetria e a Cachoeira Schin II.

No Muma (Museu de Mineralogia Aitiara), ainda dentro do Demétria, o turista tem contato com um acervo interessante de minérios, rochas, fósseis e conchas —é recomendável agendar a visita com antecedência.

Além da imunização contra a Covid-19, Botucatu também se vangloria dos índices de segurança, que poderiam favorecer o turismo.

De acordo com o último levantamento do Instituto Sou da Paz, ela está entre as cem cidades do estado de São Paulo com menor exposição ao crime. O prefeito Mario Pardini garante que há três meses o município não registra nenhum caso de furto ou roubo.


Voo turístico na base da nuvem

Endereço: Estr. Mun. Geraldo Biral, 98 – Botucatu, SP. Entrada gratuita. Voo: R$ 200. Tel. (14) 98192-2217

Cachoeira Schin II

Endereço: Rua Palmiro Biazon, bairro Demétria, Botucatu. Grátis.

Muma

Endereço: Sítio Planalto, Estr. p/ Fazenda Boa Vista, Km 7 – Zona Rural, Botucatu. R$10,00. Tel. (14) 99679-0724

Restaurante Celeiro

Rod. Gastão Dal Farra Km4 Demétria, SP. Tel. (14) 99900-4319

Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original

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