Coach de relacionamentos vira opção na busca por namoro e por divórcio – 18/03/2022 – Viva Bem

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The New York Times

A primeira conversa telefônica entre Sofia Montijo, 37, e Samantha Burns durou duas horas, em novembro de 2020, e o tema principal foi a vida amorosa de Montijo.

De lá até maio do ano passado, as duas mulheres, que vivem em Boston, se concentraram no histórico de relacionamentos malsucedidos de Montijo, em conversas de uma hora realizadas a cada duas ou três semanas via FaceTime, e em mensagens de texto e emails semanais. Para Montijo, as conversas foram suplementadas por lições de casa e livros de exercícios; o pacote todo lhe custou US$ 3.500 (R$ 17,6 mil).

Em junho, Montijo começou a namorar com seu parceiro atual. Ela descreveu o relacionamento entre eles como o de maior sucesso em sua vida. “Eu sabia que precisava mudar meus padrões de relacionamento, e encontrar alguém que fosse especialista nisso”, ela disse sobre a contratação de Burns, que é psicoterapeuta e em 2015 criou um negócio para orientar pessoas em seus namoros, relacionamentos e até mesmo separações.

Antes da pandemia, Burns disse que costumava receber cinco pedidos de informações de potenciais novos clientes a cada semana. O número dobrou, de lá para cá, segundo ela, porque as pessoas passaram a ter mais tempo para “estudar seus relacionamentos e prestar atenção nelas mesmas”.

Como resultado, ela e outros “coaches” de relacionamentos dizem ter registrado um avanço no número de interessados pelo seu trabalho, que busca encontrar um caminho organizado e orientado por objetivos para a vida amorosa. Alguns dos clientes, como Montijo, veem o serviço como uma alternativa a uma terapia, que muitas vezes se concentra mais no passado e em analisar processos.

Embora nunca tenha recorrido a um terapeuta, Montijo disse que “uma terapia parece mais apropriada para alguém que tenha deficiência de atenção, porque você fala sobre todos os assuntos”. Ela acrescentou que “procurei Sam para compreender especificamente como eu poderia namorar melhor”.

Tanto “coaches” quanto terapeutas querem ajudar as pessoas, explicou Burns, “mas os ‘coaches’ são especialmente capacitados em uma determinada área, e querem que seus clientes também sejam”. “O processo de ‘coaching’ permite feedback direto e mudança”, ela disse. “Com ele, você estabelece um objetivo e se dá um determinado prazo para cumpri-lo”.

Max Alley, que vive em Nova York, no distrito de Queens, em 2018 deixou seu emprego como gerente de relacionamento com o consumidor do Coffee Meets Bagel, um app de encontros, para criar a Matchup Coaching, que se especializa em encontros online. Antes da pandemia, ele disse que conquistava cinco ou seis clientes novos por mês; agora, são nove ou 10.

Ele atribuiu esse aumento no número de cientes ao fato de que a pandemia fez dos encontros online o melhor –e às vezes o único– caminho para conhecer alguém. “As pessoas perceberam que sua presença digital importava mais do que a física”, disse Alley, que cobra US$ 200 (R$ 1.000) por uma consulta inicial de duas horas, que inclui dicas sobre como escrever uma boa biografia resumida e selecionar fotos, e US$ 100 (R$ 500) por hora por sessões adicionais de acompanhamento.

Jessica Ashley, “coach” de divórcios em Chicago cuja especialidade é assessorar mães envolvidas em separações, disse que o aspecto de estabelecimento de metas do “coaching” se tornou especialmente atraente para seus clientes porque pode criar estrutura e oferecer realizações tangíveis em um período em que essas duas coisas talvez estejam em falta nas vidas de todos.

“O ‘coaching’ está passando por um bom momento porque precisamos de alguém que fique ao nosso lado e faça um plano”, ela disse, “e depois nos diga que somos capazes de cumpri-lo”. Como muitos “coaches”, Ashley oferece seus serviços via pacotes, entre os quais um plano de três meses e preço inicial de US$ 3.300 (R$ 16,6 mil) e um plano de seis meses com preço inicial de US$ 6.000 (R$ 30,2 mil). Os negócios costumavam seguir um ciclo sazonal, ela disse, mas se firmaram mais nos dois últimos anos.

“Os períodos de volta às aulas e posteriores às férias costumavam ser mais movimentados”, antes da pandemia, ela disse, mas “em 2020 e até a metade de 2021 o movimento foi forte e constante”. Ashley acrescentou que “venho mantendo consistentemente o dobro do número de clientes que tinha antes da pandemia”.

O “coaching” não requer diplomas ou capacitações específicas, porém, e Ashley adverte que ele se tornou “um setor inundado de não especialistas”. Ela aconselha qualquer pessoa interessada em contratar um “coach” de relacionamento a solicitar credenciais, por exemplo um certificado. (Ashley concluiu um curso de certificação desenvolvido pela Divorce Coaching, uma empresa da Flórida certificada pela International Coaching Federation, que é reconhecida como a principal organização de credenciamento do setor.)

Muitos “coaches” oferecem consultas complementares via vídeo ou telefone aos clientes potenciais, que devem perguntar sobre esse tipo de atendimento caso ele não tenha sido anunciado especificamente. Escolher o “coach” certo, disse Ashley, muitas vezes depende de “encaixe, química, confiança e compreensão da experiência”.

Corinne Reynolds, 41, diretora de avanço na Metropolitan Family Services, em Chicago, onde ela mora com a filha, contratou Ashley em janeiro de 2020 quando estava se divorciando de seu agora ex-marido. Ainda que estivesse em terapia, Reynolds se sentia avassalada pela situação. A pandemia tornou as coisas ainda piores, ela disse, ao agravar sua sensação de isolamento.

“A terapia parecia interminável. Eu precisava de alguém que me desse conselhos, me ajudasse a formular um plano e a programar minhas ações”, disse Reynolds, que trabalhou com Ashley por seis meses.

“Jessica me ajudou a estabelecer metas semanais e a criar uma rotina matinal melhor para mim e para minha filha”, ela acrescentou. “Ela me ajudou a encontrar um advogado e a descobrir meu caminho no sistema judicial. Revisou meus documentos. Também aderi ao grupo de mães que estavam passando pela mesma experiência e que ela organizou no Facebook, o que me ajudou a me sentir menos sozinha”.

Tirzah Stein, assistente social credenciada em Denver, recentemente deixou seu emprego naquele ramo para criar a NearlyWed Coaching, que se especializa em “coaching” para casamentos e pré-marital. Desde que abriu seu negócio, em setembro, ela já atendeu a 24 clientes, e em fevereiro conquistou mais 18, disse.

Porque a abordagem dos “coaches” é diferente da adotada pelos terapeutas, afirmou Stein, eles podem desenvolver uma intimidade com os clientes que os ajuda a atingir suas metas. “Ser ‘coach’ não o submete às mesmas limitações que um terapeuta”, disse Stein, que cobra US$ 550 (R$ 2.700) por quatro sessões de uma hora e US$ 800 (R$ 4.000) por oito sessões. “Você demonstra suas emoções e se comporta como um ser humano. Sou como uma melhor amiga que ao mesmo tempo oferece assessoria profissional”.

Carly Wright, 37, que trabalha em combate a incêndios e com atendimento paramédico, e Chloe Wright, 33, psicóloga, fizeram quatro meses de consultas conjuntas com Stein antes de seu casamento, realizado dia 8 de janeiro em Denver. O casal, que vive em Fort Collins, Colorado, tinha opiniões diferentes sobre a cerimônia de casamento ideal, mas sentia que terapia não era o foro adequado para resolver suas diferenças.

“Eu não queria fazer terapia de casal porque não tínhamos um problema” em nosso relacionamento, disse Carly Wright, que usa pronomes neutros para se designar. “O que tínhamos era um problema específico quanto a um evento, que nós estávamos abordando de modos muito diferentes”.

Wright acrescentou que o “coaching” ajudou as duas partes do casal a ver o ponto de vista do parceiro/a, em parte porque Stein “falou conosco como pessoa. Ela nos contou o que fez em seu casamento, e como seus outros clientes estavam lidando com a mesma situação”. Wright acrescentou que “um terapeuta não poderia fazer isso”.

Traduzido originalmente do inglês por Paulo Migliacci



Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original

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