Campeã, seleção inglesa quer mais futebol para meninas – 05/08/2022 – Marina Izidro

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Ingressos esgotados em 24 horas. Assim que a seleção feminina de futebol inglesa anunciou o retorno a Wembley para uma partida contra os Estados Unidos em outubro, a procura foi imediata. Aqui na Inglaterra, só se fala nelas.

Faz menos de uma semana que as “leoas” conquistaram a Eurocopa feminina em casa, com recorde de público na final contra a Alemanha –87 mil espectadores em Wembley– e de audiência. Mais de 17 milhões de pessoas, um quarto da população do Reino Unido, assistiram pela televisão ao primeiro título da Inglaterra no futebol desde a Copa do Mundo de 1966. Exatamente um ano depois que a seleção masculina perdeu a decisão da Euro no mesmo estádio.

A virada do futebol feminino na Inglaterra foi em 2012, quando a Grã-Bretanha disputou os Jogos Olímpicos de Londres em casa e jogou uma partida contra o Brasil diante de 70 mil pessoas em Wembley. O potencial era claro. Ao longo dos anos, a liga feminina (WSL) se tornou totalmente profissional, e os patrocinadores e a transmissão dos jogos na televisão aumentaram.

O investimento culminou com a contratação da treinadora holandesa Sarina Wiegman, que, no comando de seu país, tinha no currículo um título europeu em 2017 e uma final de Copa do Mundo em 2019. A Inglaterra estreou na Euro com 14 partidas de invencibilidade. O “momentum”, termo que os ingleses adoram, estava ali.

Conquistas também estão nos detalhes. A seleção inglesa usou um aplicativo para monitorar os ciclos menstruais das atletas e, antes do torneio, especialistas em biomecânica desenvolveram tops personalizados para elas, aliando o suporte aos seios a conforto. Segundo um estudo da Universidade de Portsmouth, foi um dos fatores que ajudaram na melhora da performance.

O título da Euro agora desperta, claro, o debate sobre como aproveitar este sucesso e desenvolver mais o futebol feminino. As campeãs escreveram uma carta aberta aos dois candidatos a primeiro-ministro do Reino Unido pedindo mais igualdade nas escolas, e citando dados da Federação de Futebol da Inglaterra, a FA, que mostram que só 63% das meninas no país têm oportunidade de jogar futebol nas aulas de educação física.

A temporada da WSL começa no dia 10 de setembro e mais partidas serão transmitidas na TV aberta. Por causa do sucesso na Euro, alguns clubes já anunciaram que a procura por ingressos aumentou. E eles certamente serão pressionados a realizar mais jogos das equipes femininas em seus estádios principais, que hoje são quase que exclusivamente destinados aos times masculinos.

O Manchester United, por exemplo, ainda não divulgou se têm planos de mandar algum de seus jogos femininos em Old Trafford.

A artilheira da Euro, Beth Mead, e a capitã da seleção, Leah Williamson, do Arsenal, normalmente jogam no Meadow Park, fora de Londres e com capacidade para 4.500 torcedores, e não no Emirates, que pode receber 60 mil pessoas. Dezenove das 23 campeãs da Euro jogam no campeonato inglês. A oportunidade comercial é clara.

Há alguns anos, fiquei encantada ao ver uma escolinha de futebol só com meninas em um parque de Londres. Espero que elas tenham visto o título da Inglaterra e se inspirado. Muitas de nós, mulheres, crescemos sentindo que vários espaços não pertencem a nós. Felizmente, em quase todas as profissões, isso está mudando. Como diz o ditado: “você precisa ver para ser.”


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