Caminho da Fé: o Caminho de Santiago brasileiro – 14/04/2022 – É Logo Ali

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Já que estamos na Semana Santa, vamos falar de uma trilha que tem tudo a ver com a espiritualidade brasileira: o Caminho da Fé. Idealizado há 19 anos pelo fiscal da Receita Federal aposentado Almiro José Grings, de Águas da Prata (SP), é um caminho associado à Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso e percorre um total de 2.500 quilômetros sinalizados ao longo de 72 municípios entre os estados de Minas Gerais e São Paulo, inspirado no milenar Caminho de Santiago, da Espanha.

Assim como o ancestral espanhol, o Caminho da Fé oferece várias rotas, ou ramais, que desembocam, todos, no ramal principal, que começa na porta do Santuário Menor de Nossa Senhora Aparecida, em Águas da Prata (SP), seguindo até o Santuário Maior de Aparecida do Norte (SP).

O trecho mais longo oferece 894 quilômetros de extensão, saindo de São José do Rio Preto (SP) até Aparecida do Norte. Mas quem fizer ao menos os últimos 135 quilômetros, de Paraisópolis (SP) a Aparecida, também faz jus a um certificado de conclusão da peregrinação. Só não recebe, como quem completa o mínimo de 100 quilômetros no caminho espanhol, a remissão dos pecados cometidos até então. É, não se pode ter tudo.

Segundo Camila Bassi, gestora da Associação dos Amigos do Caminho da Fé, as semelhanças da versão nacional com a inspiração espanhola não são poucas. Mas quem já fez os dois garante: o daqui envolve um grau bem maior de dificuldade do que o do outro lado do Atlântico.

“A altimetria do Caminho da Fé é muito mais intensa do que a do Caminho de Santiago”, explica ela. Altimetria é a diferença entre o plano e a altitude de um ponto no terreno, ou seja, a relação entre a diferença de nível e a distância horizontal. Trocando em miúdos: quanto o caminhante vai precisar enfrentar de subidas e descidas ao longo de determinado trajeto. No Caminho da Fé, as pirambeiras são mais acentuadas, pronto.

Mesmo com as dificuldades geográficas (ou justamente por causa delas), o Caminho da Fé atrai cada vez maior de trilheiros no país.”Temos registrado aumento anual de 30% a 35% no número de pessoas que se cadastram em alguns dos pontos de emissão do passaporte”, conta Bassi. “E isso sem considerar quem vai percorrer o trajeto sem se preocupar com o certificado”. No ano passado, foram contabilizados oficialmente mais de 15.800 peregrinos.

Para quem é o Caminho da Fé?

A motivação que leva as pessoas ao Caminho são cada vez mais diversificadas. Mesmo que o maior contingente ainda seja movido pela religiosidade, Bassi afirma que é significativo o total dos que afirmam estarem lá pelo desafio do autoconhecimento, pelo esporte em si ou pelo turismo. Em tempos de passagens caras em qualquer modal, o gasto médio diário estimado entre R$ 100,00 e R$ 150,00 incluindo hospedagem e alimentação são um atrativo mais do que bom para motivar o cidadão a botar a mochila às costas.

No Caminho da Fé não se acampa, pelo menos não na maior parte dos trechos, o que dispensa a necessidade de carregar barraca, panelas e sacos de dormir, o que permite viajar leve, com o mínimo de bagagem. As paradas, credenciadas em distâncias de, em média, 20 quilômetros entre si, podem acolher as pernas e os lombos cansados em hotéis, pousadas ou, mesmo, casas de moradores da região que oferecem pouso por quantias módicas. Em muitos lugares, como no caminho espanhol, é oferecido o “menu do peregrino”, a versão trilheira do prato feito de cada dia, com precinho especial a quem apresenta o passaporte. E para ninguém se perder o percurso é sinalizado a cada 2 quilômetros por setas amarelas em lugares bem visíveis, com placas que informam a distância até a porta da Basílica de Aparecida.

A emissão do passaporte do peregrino pode ser feita em 38 postos credenciados pela Associação em pontos diferentes dos vários ramais, por R$ 20,00. E é bem interessante carregar esse “documento” e carimbá-lo nos locais designados para recepção dos caminhantes: ele permite o registro à moda antiga da jornada completada, bem mais charmoso que aquele do GPS, vai. Esses locais podem ser tanto os pontos de pousada como restaurantes, postos de gasolina e lanchonetes de apoio ao longo do trajeto. No site da Associação, pode ser encontrada a relação dos estabelecimentos credenciados.


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Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original

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