‘BMF’ mostra família criminosa e tem filho de traficante preso no papel do pai – 25/09/2021 – Cinema e Séries


São Paulo

Os irmãos Demetrius Flenory, o “Big Meech”, e Terry Flenory, o “Southwest T”, começaram vendendo saquinhos de cocaína na escola secundária em que estudavam, na cidade americana de Detroit, tentando fugir da pobreza em que viviam. No final da década de 1980, cada vez mais envolvidos com o mundo dos crimes, eles resolveram profissionalizar o negócio.

Criaram uma organização que depois recebeu o nome de “Big Mafia Family” (ou “grande família mafiosa”). No começo dos anos 2000, chegaram a ter mais de 500 subordinados e a distribuir drogas para pelo menos 12 estados americanos. A história real deles é o mote da série “BMF”, que estreia no domingo (26) no serviço de streaming Starzplay.

O papel de “Big Meech” é interpretado por ninguém menos que Demetrius Flenory Jr. (também conhecido como “Lil Meech”), 21, filho do megatraficante. O pai deve permanecer preso pelo menos até 2028.

Esta é a estreia de Flenory Jr. como ator —ele também já está escalado para a segunda temporada de “Euphoria”, da HBO. O convite partiu do rapper 50 Cent, que é um dos produtores executivos da série.

“Eu estava na faculdade quando meu pai me ligou contando que o 50 Cent tinha comprado os direitos da história para fazer um filme ou uma série”, lembra ele em entrevista ao F5. “Meu pai disse que queria que eu fosse para Atlanta para conhecê-lo.”

Sem saber nada de atuação até então, ele recebeu uma ligação no dia seguinte perguntando se ele toparia se mudar para Los Angeles para estudar interpretação e fazer um teste para o papel do pai. Passou um ano e meio trabalhando com um preparador de elenco até ser efetivado como um dos protagonistas da série.

Sobre o rapper, ele é só elogios. “Ele virou meu melhor amigo, meu mentor e meu irmão mais velho”, conta. “Ele achou que eu poderia ser bom como ator antes de qualquer outra pessoa. Até eu duvidei de mim mesmo, mas ele acreditou. Trabalhando com ele pude aprender muito, porque o cara é um gênio.”

“Lil Meech” diz que passou a entender melhor o pai depois que teve contato com a história dele. “Quando eu era mais novo, não sabia muito sobre o meu pai”, confessa. “Só sabia que ele era legal, que me levava para os lugares e que depois foi preso, mas eu nem sabia o que ele tinha feito.”

“Eu só sabia da parte boa, do glamour, mas não sabia que ele tinha passado fome ou que largado a escola porque ficava com vergonha de ir com os sapatos furados e repetir a mesma roupa 3 ou 4 vezes por semana”, diz. “Isso explica algumas das escolhas que ele fez lá atrás.”

Os dois conversaram sobre o assunto. “Não nos vimos pessoalmente, porque ele está encarcerado, mas ele me dá vários conselhos todas as vezes que nos falamos”, afirma. “O principal é para eu me manter verdadeiro comigo mesmo.”

Apesar de alguma semelhança física, ele diz que não vai tentar imitar o pai, mas representá-lo. “É muita pressão, conheço meu pai melhor que ninguém, mas não posso simplesmente ser ele”, explica. “Tivemos vidas completamente diferentes, eu cresci em Miami e estudei em escola particular, ele teve que cuidar da casa com 15 ou 16 anos. O que eu tento fazer é me colocar no lugar dele.”

A série tem algumas sequências bastante violentas, mas o ator garante que isso não é o principal. “Tem cenas bem intensas”, admite. “Ele enfrentou muita violência na Detroit daquela, o mundo era bem diferente, mas nas entrelinhas o que falamos é de família, irmandade e lealdade.”

Mesmo assim, o ator e rapper Da’Vinchi, que interpreta Terry Flanory, diz que era difícil relaxar quando as gravações terminavam. “Era difícil às vezes sair do personagem”, conta. “Comecei a desenvolver uma paranoia. Quando se está vendendo drogas, você desconfia de tudo.”

“Sabemos que não podemos levar o personagem para casa, mas estando em Atlanta, dirigindo para algumas áreas da cidade, às vezes é como se ainda estivesse trabalhando, meu cérebro começava a ver as coisas de modo diferente”, comenta. “Eu tinha que dizer para mim mesmo, essa não é a sua realidade agora.”

Diferentemente de Flanory Jr., que tem uma ligação pessoal com a história, Da’Vinchi não tinha relação com a Black Mafia Family. Ele diz que é uma grande coincidência que o nome dele seja parecido com o de Bleu DaVinci, o único contratado da BMF Entertainment (braço fonográfico do grupo, que era usado para lavagem de dinheiro).

Nascido Abraham D. Juste, ele escolheu o nome artístico como homenagem ao pintor da Mona Lisa. “O Da Vinci era um homem renascentista, que pintava e fazia muitas outras coisas”, explica. “Como não sou apenas ator, me considero muitas outras coisas, escolhi esse nome.”

Ele diz que trocou muitas informações com “Lil Meech” sobre a família dele, mas também teve a oportunidade de conversar com “Big Meech” e com o próprio Terry, que também estava preso, mas foi liberado no ano passado por causa da pandemia de coronavírus.

“Isso me proporcionou uma boa visão do que era real e o que era ficcional no que estávamos fazendo”, conta. “Não conhecia muito sobre eles, sabia que existiam, que eram dois irmãos que tinham criado um império, mas não havia pesquisado a fundo.”

“Conhecer o Terry foi muito emocionante”, afirma. “Foi um momento surreal. Nós marcamos um jantar. Depois de eu me recuperar do fato de estar frente a frente com o cara que eu estava interpretando, tivemos uma conversa bacana. Ele é um homem de poucas palavras, tem um jeito bem estoico, mas eu fiquei muito animado.”

Outros encontros que ele gostou bastante de ter foi com os rappers Snoop Dogg e Eminem, que fazem participações especiais na série. “Trabalhei muito próximo do Snoop, foi muito divertido o processo de sugar toda a sabedoria e o conhecimento dele”, lembra. “Entre uma gravação e outra, a gente ficava conversando. Eram momentos surreais para mim.”

Da’Vinchi também avalia que a série coroa uma ótima fase para a representatividade negra na televisão. “Diria que estamos muito melhor do que antes, mas ainda temos um longo caminho para percorrer nesse sentido”, avalia. “Estamos indo na direção da mudança, e fico feliz com isso.”

Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original

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