Basquete do Brasil tropeça na chance derradeira de ir ao Japão – 05/07/2021 – Edgard Alves


O Brasil está fora dos torneios masculino e feminino de basquete dos Jogos Olímpicos e também do 3 x 3, uma das novidades da modalidade e do megaevento em Tóquio.

As mulheres fracassaram no ano passado, na derradeira chance em que tentaram a vaga. Os homens caíram no domingo (4), faltando 19 dias para a abertura da Olimpíada. Na decisão da seletiva em Split, na Croácia, o Brasil perdeu o jogo e a vaga para a Alemanha, por 75 a 64.

Desta vez, a campanha da seleção nacional não foi decepcionante, apesar do choque da partida decisiva. Chegou invicta à última rodada, depois de vitórias sobre Tunísia, Croácia e México. O confronto com os alemães foi equilibrado, com os brasileiros não conseguindo conter o ritmo de jogo dos adversários no final.

Apesar do resultado incontestável, a seleção do Brasil deixou a quadra de cabeça erguida pela sua boa apresentação na partida e no torneio. Havia muito tempo que isso não ocorria. Em outras oportunidades, na última década, muitas vezes até mesmo algumas vitórias não apagavam dúvidas.

A seleção mostrou equilíbrio neste pré-olímpico e as substituições não tiraram a confiança do torcedor no potencial do time. A coesão dos jogadores pareceu ser a mesma na quadra e no banco de reservas. A postura da equipe deixou claro que o objetivo de todos era um só: a conquista da vaga olímpica, que não veio por pouco, não por falta de empenho.

Os torneios de Tóquio ficaram assim definidos: masculino – Japão, Estados Unidos, Argentina, Austrália, França, Irã, Nigéria, Espanha, República Tcheca, Alemanha, Itália e Eslovênia; feminino – Japão, Estados Unidos, Espanha, Bélgica, Canadá, França, Austrália, Porto Rico, Nigéria, Sérvia, China e Coreia do Sul.

Agora o basquete inicia um novo ciclo olímpico, que será menor (3 anos) do que os anteriores (4 anos) e o de Tóquio (5 anos, por causa do adiamento dos Jogos na pandemia do novo coronavírus). A grande dúvida, no momento, fica por conta da manutenção ou não do técnico croata Aleksandar Petrovic no comando da seleção brasileira.

A contratação do croata não registrou nenhum desacerto desde a chegada dele. A validade do vínculo entre Petrovic e a CBB (Confederação Brasileira de Basquete) termina com o atual ciclo olímpico. Portanto, há chance de prorrogação ou da convocação de um técnico atuante em clubes e torneios nacionais. Quanto ao time em si, alguns dos jogadores, os mais veteranos, podem deixar a seleção.

Nas últimas duas décadas, graves erros do comando da CBB acarretaram dificuldades para o basquete brasileiro, cresceram como uma bola de neve descendo pela montanha. Assim, a entidade acumulou enormes dívidas que atravancaram o desenvolvimento de projetos. A bagunça chegou a provocar uma punição da federação internacional da modalidade.

Parte dos problemas foi superado, mas dívidas ainda persistem, atrapalhando o andamento dos trabalhos. A questão do técnico é sempre muito debatida e polêmica. O salário de treinador costuma ser pesado demais, inclusive envolvendo hospedagem. Apesar disso, a CBB não tem desviado seu olhar do exterior.

Em Londres-2012, oportunidade em que o Brasil ficou em quinto, e, no Rio-2016, quando foi eliminado na fase de grupos, a seleção teve comando de Rubén Magnano, campeão olímpico com seu país, a Argentina, em Atenas-2004. Entre os acertos dele, talvez os principais tenham sido a liderança sobre o grupo e o de ter provocado a determinação dos jogadores em atuar pela seleção.

No aspecto geral, de certa forma, a passagem de Magnano pelo Brasil deixou no ar a máxima de que santo da casa não faz milagre. É bom lembrar aqui que para os Jogos do Rio, cinco anos atrás, as seleções masculina e feminina de basquete ficaram com as vagas olímpicas porque eram anfitriãs, sem a necessidade de passagem por seletivas.

A CBB é a responsável pelas atividades das seleções nacionais, mas não pelos campeonatos feminino e masculino principais do país. Estes são independentes, organizados e explorados pelas ligas nacionais, que têm correspondido com relativo sucesso. As ligas, porém, também carecem de apoio para um desenvolvimento mais adequado.

Portanto, quanto melhor o entrosamento das ligas e da CBB, mais rapidamente o basquete das seleções voltará a ganhar projeção internacional. Tudo isso, no entanto, desde que cuide com carinho do trabalho na base, que está precisando de incentivo.


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