As boas surpresas da COP26 – 16/11/2021 – Ilona Szabó de Carvalho


A COP26, Cúpula do Clima que aconteceu em Glasgow, deu o que falar. Essa é a primeira boa notícia. Mas não é a única. Na conferência climática de enorme consequência para nossas vidas, a natureza e a eliminação do desmatamento finalmente ganharam relevância. E para além da participação ativa, e cada vez mais inclusiva da sociedade civil, o engajamento do setor privado trouxe a certeza de que o tempo da ação climática coletiva chegou.

Para o Brasil, diante da ausência de uma participação honesta e comprometida do governo, essa novidade é ainda mais importante. A Declaração de Florestas e o Compromisso Global de Financiamento de Florestas selam o entendimento da centralidade da conservação florestal e da proteção das comunidades indígenas, tradicionais e rurais para governos e empresas. Os primeiros passos merecem aplausos, mas só levam à segurança climática se forem acompanhados de métricas para aferir se as promessas saem do papel.

Para os investidores, bancos e empresas que estavam em Glasgow, ficou claro que limitar o aumento da temperatura do planeta em 1,5ºC, passa por proteger a Floresta Amazônica e outros biomas ameaçados mundo afora. Essa constatação, mesmo que tardia, vem em muito boa hora. Sabemos que parte significativa do desmatamento na Amazônia legal viola as leis brasileiras e cria uma verdadeira economia do crime na região. Poucos grupos se beneficiam de uma visão ultrapassada e perigosa, em detrimento do bem-estar e segurança de todos.

E podemos e devemos fazer diferente. Participei pessoalmente, durante a COP26, do lançamento de Uma Agenda pelo Desenvolvimento da Amazônia, da Concertação pela Amazônia, que traz uma visão econômica voltada para a distribuição justa das riquezas que a floresta de pé pode gerar. Pude também compartilhar que as evidências demonstram a importância de três dimensões nas operações de cadeias de suprimento de commodities florestais: transparência, rastreabilidade e cumprimento da lei.

E, ainda que uma empresa trabalhe para tornar suas práticas internas mais sustentáveis, é preciso ir além e conhecer toda a cadeia de suprimento, garantindo a procedência legal de matérias-primas e produtos, incluindo fornecedores diretos e indiretos. As empresas que operam na Amazônia e em outros biomas, devem seguir critérios e reportar métricas ambientais, sociais e de governança (ESG), de modo que investidores e consumidores possam avaliar o custo ambiental e os riscos atrelados a cada produto ou alimento.

Queremos contribuir para que isso seja possível na prática, com a concretude e urgência que esse tema demanda. E para apoiar as empresas e investidores a cumprirem a meta global de desmatamento zero, e práticas empresariais mais responsáveis, o Instituto Igarapé lançou uma iniciativa que propõe novas abordagens para dimensões analíticas e métricas —que combinam o que para alguns já é prática consolidada de compliance, com padrões de boas práticas ainda a serem adotados pela maioria.

Continuaremos trabalhando para que os governos cumpram sua função constitucional de impedir a devastação da imensa riqueza que é a Amazônia. Seja através do fortalecimento do comando e controle e das políticas de incentivo e indução na região, seja no provimento de segurança pública para os Amazônidas —especialmente para os que estão ameaçados, na linha de frente da defesa da floresta.

E por estamos certos de que os setores privado e financeiro desejam honrar seus compromissos ambientais, nos juntamos também à discussão e à ação para garantir a transição para modelos sustentáveis de produção e investimentos. Nada é mais forte que uma ideia cujo tempo chegou: todos juntos pela segurança e justiça climática.


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