Arenas de beach tennis atraem clientes com lojas, restaurantes e até DJ – 03/10/2021 – Mpme


Impulsionado pela pandemia, que pede a prática de atividades físicas ao ar livre, o esporte da vez é o beach tennis, que mistura vôlei de praia, tênis e badminton. Só no estado de São Paulo, o número de quadras dobrou desde 2020 —são mais de 900, segundo a CBBT (Confederação Brasileira de Beach Tennis).

Os empresários do setor apostam no caráter democrático da modalidade —que reúne amadores, profissionais e pessoas de todas as idades— para que a prática não seja mais uma moda passageira.

Além de quadras com cuidados como areia especial e sistema de drenagem, a aposta para fisgar os clientes é oferecer uma infraestrutura completa com bares, lanchonetes, lojas e até DJs e shows.

A ideia é que as arenas sejam uma espécie de clube, não só um lugar para jogar e ir embora. Para Edgard Neto, consultor do Sebrae-SP, o segredo para se consolidar nesse mercado é buscar a inovação constante do espaço.

Leandro Almeida, 36, e os amigos Marcelo Martins, 39, e Alexandre Capello, 50, já pensavam na ideia de abrir um local para a prática de esportes no bairro do Mandaqui, na zona norte de São Paulo.

Com a pandemia, eles viram os seus rendimentos encolherem —Leandro tem uma fábrica de brinquedos para bufês infantis e Marcelo e Alexandre são bancários.

Em uma viagem a São Sebastião, litoral norte de São Paulo, os amigos viram que as praias estavam tomadas por gente jogando beach tennis ou futevôlei. “Consultamos pessoas do ramo e decidimos que era hora de tirar o sonho do papel”, diz Leandro.

Inaugurada em agosto, a Arena ZN já está contratando mais funcionários, em razão da alta demanda. Com os horários nobres lotados (das 6h às 11h e das 17h às 22h), outros turnos foram abertos e foi adotado o formato de day use. Além das duas quadras, o espaço oferece ainda bar, restaurante, shows e DJ.

O investimento foi de R$ 700 mil. “Tivemos que abrir o negócio do zero, já que o lugar era um estacionamento. E no meio da pandemia o valor dos materiais de construção quase triplicou”, afirma.

“Tinha gente que descia para o litoral nos fins de semana para jogar e agora joga aqui”, diz Leandro, que conta já ter recebido propostas de investidores para abrir unidades em outros bairros e até estados.

A pandemia chegou justamente quando o empresário Jorge Bauab, 62, tinha acabado de abrir a Arena Nacional, na zona oeste da capital paulista. O espaço funcionou por 18 dias e reabriu cinco meses depois. Desde então, só cresceu.

As 7 quadras iniciais logo viraram 11, e a previsão é de construir outras 7 até janeiro de 2022. O investimento total vai atingir cerca de R$ 5 milhões. “O mais caro não são as quadras, mas a infraestrutura do entorno, com lanchonete, loja de material esportivo, espaço de convivência e de fisioterapia”, conta Jorge.

“Rola uma playlist para animar a moçada e dar uma sensação de praia, mas a ideia não é virar balada. A minha proposta é família e esporte.”

O empresário acredita que uma parte do público migrou de vez de outras modalidades para o beach tennis e não considera que a prática seja apenas uma onda passageira.

Na sua opinião, com o tempo, haverá uma “seleção natural” das arenas, a exemplo do que ocorreu com as redes de academias de crossfit.

“Acho que teremos ainda de 6 a 8 meses de crescimento no número de quadras e depois só vão ficar as que oferecerem os melhores serviços e conseguirem reduzir custos.”

A RJ Beach Tennis, que também oferece tênis e squash, existe no bairro do Brooklin (zona sul da cidade) desde 1976 e há três anos começou a ter aulas e alugar quadra para a prática de beach tennis.

“Virou uma febre e a procura cresceu muito”, diz Rodrigo Junqueira, 45. Há um mês, ele abriu outro espaço na Vila Gertrudes, também na zona sul, com três quadras.

O aporte na nova unidade foi de cerca de R$ 300 mil. “O investimento em uma quadra de beach tennis depende muito da qualidade da areia. Há opções de R$ 9.000 a R$ 50 mil. Escolhemos usar uma que é totalmente branca, não esquenta, não faz buraco e tem uma drenagem melhor”, diz.

“Muitos empresários estão abrindo arenas e repassando para quem tem mais know-how. Eu mesmo já recebi duas propostas”, afirma Rodrigo, que também é dono de uma unidade em Jaú, no interior de São Paulo, aberta há dois anos, com quatro quadras.

Até em Curitiba, a capital mais fria do Brasil, o esporte caiu no gosto do público. A Vita Beach Sports, aberta há três anos, triplicou o número de alunos na pandemia, e as quadras estão lotadas em praticamente todos os horários, diz Gabriel Farah, 38, sócio do espaço ao lado da atleta profissional de beach tennis Marcela Vita.

“Como as restrições de funcionamento foram flexibilizadas um pouco antes para o beach tennis, por ele ser ao ar livre, o esporte acabou explodindo”, conta Gabriel, que deixou o trabalho na área de turismo para se dedicar integralmente à academia. O local conta com seis quadras e teve investimento de R$ 300 mil. O espaço abriga uma loja de materiais esportivos e roupas fitness, bar, restaurante e espaço de convivência.

O custo para construir uma quadra de beach tennis é de R$ 50 mil a R$ 60 mil. “Para ter qualidade é preciso atender a uma série de especificações, como a qualidade e profundidade da areia, espaços de recuo, drenagem, iluminação, alambrado e altura da rede”, diz Jorge Bierrenbach, vice-presidente da CBBT.

Com o apoio de patrocinadores, a CBBT está investindo R$ 700 mil na construção de um centro de treinamento em Atibaia (SP), com oito quadras. Para 2022 está prevista a realização de 110 torneios no Brasil. Em 2019, foram 60.

Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original

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