Ansiedade: avaliação em crianças devem começar aos 8 anos – 14/04/2022 – Equilíbrio

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O agravamento do estado de saúde mental de crianças levou um grupo influente de especialistas a recomendar, pela primeira vez, que todas as crianças e adolescentes entre 8 e 18 anos sejam examinadas para averiguar se sofrem de ansiedade, um dos transtornos de saúde mental mais comuns na infância.

O texto provisório das novas diretrizes, que está aberto a comentários do público, provavelmente será finalizado ainda este ano. Ele foi divulgado na terça-feira (12) pela força-tarefa americana de Serviços Preventivos, um comitê de especialistas voluntários indicados por uma agência do governo federal para traçar recomendações a provedores de assistência médica sobre atendimento clínico preventivo.

Criada pelo Congresso em 1984, a força-tarefa não possui autoridade regulatória, mas suas recomendações costumam ser ouvidas por médicos.

Examinar mais crianças para verificar se sofrem de ansiedade é “realmente importante”, disse o psicólogo infantil Stephen P. H. Whiteside, diretor da Clínica de Ansiedade Pediátrica na Clínica Mayo, em Rochester, Minnesota, que não faz parte da força-tarefa. “A maioria das crianças que precisa de atendimento de saúde mental não o recebem.”

Isso pode se aplicar especialmente às crianças com ansiedade, ele disse.

É mais comum que crianças com problemas comportamentais sejam identificadas como se estivessem precisando de ajuda, mas, segundo Whiteside, se crianças com transtornos de ansiedade não estiverem causando problemas na escola ou em casa, suas dificuldades podem facilmente passar despercebidas.

A pandemia apenas exacerbou os problemas que crianças já vinham sofrendo.

Por que a detecção precoce da ansiedade é importante?

A força-tarefa americana recomendou que crianças sejam examinadas para detectar possível ansiedade independentemente de um médico ter identificado qualquer sinal ou sintoma.

“A possibilidade de intervir antes da vida da criança ser prejudicada é crucial”, explicou Martha Kubik, membro da força-tarefa e também professora na Escola de Enfermagem da Universidade George Mason, em Fairfax, Virginia.

Os transtornos de ansiedade na infância são ligados a um risco aumentado de depressão, ansiedade, problemas comportamentais e abuso de substâncias mais tarde na vida, segundo relatório do Child Mind Institute, organização sem fins lucrativos que oferece terapia e outros serviços a crianças e famílias com problemas de saúde mental e aprendizagem.

A força-tarefa disse que ainda não tem evidências suficientes para recomendar ou não a triagem de menores de 8 anos em relação à ansiedade. Os especialistas continuam a recomendar exames de depressão para crianças a partir dos 12 anos.

Como funcionaria essa triagem?

Já existem vários levantamentos e questionários diferentes que podem ser usados na clínica geral para detectar ansiedade, disse Kubik.

Algumas dessas ferramentas podem visar transtornos de ansiedade específicos, enquanto outros podem captar uma série de transtornos. “Nossa revisão constatou que essas ferramentas de triagem são eficientes para captar ansiedade em crianças e adolescentes antes de deles apresentarem sinais e sintomas evidentes”, afirmou.

Segundo Kubik, idealmente as crianças seriam examinadas durante seus check-ups anuais de saúde infantil, mas os médicos também devem ficar abertos para oportunidades de examinar as crianças durante outras consultas.

Se um dos instrumentos utilizados indicar que uma criança precisa de assistência adicional, isso não é um diagnóstico, disseram os especialistas, mas sim o ponto de partida para uma discussão mais ampla e acompanhamento posterior, que pode incluir o encaminhamento a um profissional de saúde mental.

“A psicoterapia é a primeira opção de tratamento”, disse Tami D. Benton, diretora de psiquiatria infantil e adolescente, e de ciências comportamentais no Hospital Infantil de Filadélfia. Se a ansiedade estiver prejudicando a capacidade da criança de viver normalmente ou se a psicoterapia por si só não surtiu efeito, ela acrescentou, pode ser preciso recorrer a medicamentos.

Encontrar um profissional de saúde mental não é necessariamente uma tarefa fácil ou que se faz em pouco tempo, mas nem por isso é menos importante que as crianças sejam examinadas.

Quando mais crianças e adolescentes que precisam de assistência são identificadas, “isso começa a colocar pressão sobre muitos dos responsáveis pelas decisões e das pessoas que controlam o dinheiro”, incluindo os convênios médicos, disse a Dra. Carol Weitzman, co-diretora do Centro de Espectro de Autismo no Hospital Infantil de Boston e porta-voz da AAP (Academia Americana de Pediatria, em português).

“Precisamos lançar muita luz sobre as necessidades de saúde mental de crianças, adolescentes e jovens neste país e precisamos lutar por melhor acesso a assistência de saúde mental.”

Outras organizações têm seus próprios processos para traçar recomendações que são distintas das da força-tarefa americana.

Weitzman disse que a AAP está no processo de desenvolver mais ferramentas para ajudar pediatras a fazer triagens de ansiedade.

Como fica o risco de suicídio?

Ao mesmo tempo em que destacou a necessidade de mais pesquisas, a força-tarefa disse que não possui evidências suficientes para recomendar a triagem sistemática para flagrar risco de suicídio entre crianças de 12 anos ou mais. O suicídio é a segunda maior causa de morte entre crianças de 10 a 19 anos.

“Muitas crianças ocultam suas ideações suicidas de outras pessoas, só falando do assunto se alguém pedir”, disse a dra. Weitzman, que também é pediatra do desenvolvimento e comportamental. “Por isso, quando você faz uma triagem de todas as crianças de 12 anos ou mais, isso ajuda a criar a sensação de que há uma rede de segurança, de que é tudo bem falar desse assunto.”

Até que ponto a ansiedade infantil é comum?

Segundo os CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças), mais de 7% das crianças de 3 a 17 anos de idade têm ansiedade diagnosticada. Mas, disse Benton, “muitas crianças e adolescentes que sofrem com ansiedade podem não ter sido diagnosticadas”. Por exemplo, uma pesquisa representativa dos EUA feita com famílias concluiu que quase um em cada três adolescentes –cerca de 30%– satisfaz os critérios de um transtorno de ansiedade.

E um estudo publicado no periódico JAMA Pediatrics constatou que entre 2016 e 2020 houve um aumento importante nos casos diagnosticados de ansiedade e depressão entre crianças, além de queda no bem-estar emocional de seus responsáveis.

Como saber se seu filho precisa de ajuda?

Se você receia que seu filho possa estar sofrendo ansiedade, a recomendação dos especialistas é consultar o pediatra dele ou um clínico geral, que podem conseguir distinguir entre ansiedade normal e o tipo de ansiedade indicativa de um problema ou transtorno emergente.

Algum grau de ansiedade é normal, disseram os especialistas, e a ansiedade pode até trazer benefícios, na medida em que ajuda a nos manter em segurança. Além disso, pode haver períodos na vida em que a ansiedade aumenta, o que também é normal. E, independentemente das circunstâncias, algumas crianças tendem a ser mais preocupadas que outras.

Mas ansiedade persistente que afeta o cotidiano da criança pode ser indicativo de um transtorno. A recomendação dos especialistas é que os pais fiquem atentos para os seguintes sinais, especialmente se refletirem uma mudança em relação ao comportamento anterior:

  • Comer demais ou muito pouco
  • Dormir mais ou menos que de costume
  • Queda do aproveitamento escolar
  • Mudanças nos relacionamentos
  • Irritabilidade
  • Raiva
  • Sensibilidade às críticas
  • Perda de interesse nas atividades
  • Sintomas físicos como dores de cabeça ou abdominais
  • Dificuldade em se separar dos pais ou responsáveis e resistência para ir à escola ou para dormir sozinha

Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original

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