Ano novo, eleição nova: começou a contagem regressiva – 27/12/2021 – Renata Mendonça

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​A última semana de dezembro sempre traz reflexões. É como se estes últimos dias carregassem o peso de tudo o que fizemos no último ano e de tudo o que desejamos fazer no próximo. Mas o 1º de janeiro de 2022 traz esperança. E só não é mais aguardado do que o 1º de janeiro de 2023.

Têm sido anos difíceis estes que vivemos. Os últimos dois, agravados pela pandemia que assola o mundo e que enlutou o Brasil com mais de 600 mil mortes. E, se em outubro de 2018, muitos de nós (eu incluída) choramos o resultado daquela eleição por temer as consequências de se colocar um inconsequente no poder, hoje sabemos que até mesmo as piores expectativas puderam ser superadas. A diferença é que agora ao menos sabemos que está mais perto o momento de gritar com a certeza do alívio: amanhã vai ser outro dia.

Eu não vivi a ditadura militar, os tempos mais sombrios da nossa história, mas, toda vez que ouço a canção de Chico Buarque, ela parece pulsar nas minhas veias, de tão forte que é sua simbologia. E com tudo o que vivemos desde aquele 1º de janeiro de 2019, essa música ganhou novo sentido. Para que não reste dúvidas:

Apesar de você (Bolsonaro), amanhã há de ser outro dia. Eu pergunto a você onde vai se esconder da enorme euforia?

O presidente tem um ano para planejar isso. Aliás, que ele aproveite muito estes últimos 365 dias em que ainda vai ser chamado “presidente”. Daqui a não muito tempo, vai parecer um devaneio quando alguém contar: “Quando Bolsonaro era presidente…”. Porque até hoje ainda é difícil explicar o que levou milhões de brasileiros a votarem num ser tão abominável para comandar o país.

Jair Bolsonaro nunca escondeu quem realmente era. Racista, misógino, homofóbico. Símbolo anticorrupção? Tem que ter muita ingenuidade ou desconhecimento da trajetória da família Bolsonaro para acreditar nisso.

Houve quem tenha votado 17 por convicção nos preconceitos que aquele candidato pregava. Racistas, misóginos, homofóbicos forjados na figura dos “defensores da família” quiseram colocar no poder alguém que reproduzisse em alto e bom tom a moral e os bons costumes que pregam (enquanto traem ou agridem suas esposas, inclusive).

E houve quem tenha relevado todos os absurdos que Bolsonaro dizia por acreditar que Paulo Guedes salvaria a economia. Não salvou. E agora os absurdos ditos pelo presidente eleito são, inclusive, traduzidos para inglês, italiano, alemão, espanhol e todas as línguas que permitam ao mundo entender nossa vergonha. Até a Assembleia da ONU já foi palco para as asneiras desse homem. O Trump brasileiro, como ele costuma ser chamado lá fora.

Um Trump piorado, porque nem mesmo o original foi capaz de fazer de tudo para que a vacina contra a Covid-19 não chegasse aos americanos. Apesar de você, Bolsonaro, as vacinas chegaram. E só por isso estamos sobrevivendo para, em outubro de 2022, pôr fim neste martírio.

Neste meio tempo, vimos a Amazônia queimar, vimos um protesto na porta de um hospital onde uma menina de dez anos faria um aborto após ter sido estuprada por um familiar (um protesto incrivelmente contra ELA), vimos o ministro da Saúde minimizar a morte de crianças, vimos um presidente que passou 27 anos na Câmara dos Deputados e teve vários mandatos questionar a legitimidade das urnas eletrônicas –as mesmas que o reelegeram repetidas vezes – e pedir voto em papel.

Foram três longos anos, e o que está por vir também o será. Com a diferença de que este 2022 nos renova a esperança. Só me acordem quando setembro acabar. Porque em outubro finalmente poderemos dizer: amanhã vai ser outro dia. Que comece a contagem regressiva!


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