Andréia Horta vive bióloga que se excita com flores em ‘O Jardim Secreto de Mariana’ – 29/09/2021 – Cinema e Séries


São Paulo

“As flores não pensam em outra coisa a não ser praticar o amor físico”, explica a bióloga Mariana, vivida por Andréia Horta, 38, durante uma palestra para amantes da natureza em “O Jardim Secreto de Mariana”. No filme, que estreia nesta quinta-feira (30) nos cinemas, ao explicar sobre as “práticas orgíacas” das plantas, a personagem também fala um pouco sobre si.

Mariana vive um relacionamento sólido e monogâmico com o economista João (Gustavo Vaz). Os dois moram em uma casa cercada de verde, onde ela planta —sem fazer uso de agrotóxicos, como faz questão de frisar— e colhe quase tudo o que comem. Mas essa realidade quase idílica começa a ruir quando eles passam a tentar ter um filho.

“As flores copulam o tempo inteiro, elas estão sempre em reprodução”, diz a atriz durante bate-papo com a imprensa, do qual o F5 participou. “O Sergio [Rezende, diretor] coloca um pouco essa questão erótica. A Mariana quando olha no telescópio fica com desejo vendo as flores em estado de libido. Nem sei se a gente pode falar que flor tem libido (risos), mas a Mariana quer se tocar, vai até o marido querendo ter uma relação. Acho tudo isso muito lindo, interessante, sensual, natural e fundamental.”

O espectador é convidado a partilhar da intimidade do casal, quase que pelos olhos de um dos insetos que polinizam o jardim e entrou em casa sem querer. As cenas de sexo e a nudez dos atores aparecem de forma bastante naturalista no longa —e foram filmadas de modo muito tranquilo, segundo os atores.

“Quando estou diante dessas cenas, sempre me pergunto a serviço do que quero colocar o corpo e a voz”, explica. “Essas cenas estavam tão inseridas no que é natural da vida, no meio dos orgânicos, do que eles vendem, comem e se alimentam, que o corpo nu, o ato de amor era óbvio que precisava acontecer.”

O diretor compara os personagens na primeira parte do filme a “Adão e Eva”. À medida que a relação vai se desgastando —quando eles “mordem a maçã”—, o tom do filme muda, com os personagens inclusive aparecendo muito mais cobertos, para no final voltarem ao “paraíso” de forma muito mais madura.

“Foi uma coisa que veio de dentro, um sentimento de que aquilo era preciso ser expresso. A nudez tem uma força, não é uma exploração da nudez”, avalia. “Essa coisa do corpo é a vida, somos nós.”

Ele lembra que, quando começou a fazer cinema, nos anos 1980, havia quase uma obrigação de encaixar pelo menos uma cena de sexo nos filmes —herança do sucesso comercial das pornochanchadas. Não foi o caso aqui. “Nós fizemos um trabalho com liberdade e isso é impagável, fizemos da maneira que queríamos fazer”, comemora.

Principalmente com os desafios que a falta de incentivo à cultura e que a pandemia acrescentaram à produção. “A gente está enfrentando uma fase muito grave há alguns anos já”, avalia Horta. “Não se tem dinheiro, não se tem condições, políticas públicas… É tão absurdo ver que o que está ali para ser pró é contra.”

Gustavo Vaz, que vive seu primeiro protagonista no cinema, corrobora com essa visão. Ele diz que chorou “copiosamente” do começo ao fim quando viu o longa finalizado. “Só consegui ver o filme na segunda ou terceira vez”, afirma.

“Estar botando um filme no mundo é plantar uma flor nesse momento tão difícil para todo mundo”, compara. Ele classifica o atual governo federal como “machista, patriarcal e violento”. “Se serve para algo é para ser um farol do que não ser”, diz.

A questão da masculinidade, aliás, é bastante presente. Durante o filme, João descobre que é estéril, o que traz muita insegurança para o personagem e faz com que Mariana tome atitudes impensadas. Os dois acabam passando cinco anos afastados, até que ele decide procurá-la novamente.

“O filme está sempre acompanhando o João, que em algum momento não pode ser pai, em algum momento ele começa a se perder, a gente vai acompanhando essa maneira dele de não conseguir lidar com essas emoções e que geram uma violência”, diz Horta.

“O público pode observar essa jornada do masculino em direção a ele próprio para entender esse novo lugar que precisa ser desconstruído e reconstruído na sociedade”, confirma Vaz. “Ele precisa aprender a lidar com suas próprias violências, com seus limites, com suas dificuldades. É importante fazer esse movimento de se aproximar do próprio feminino para construir uma sociedade mais amor, cuidado e escuta.”

Inicialmente, o filme estava pensado para ser rodado na Europa, mas a falta de recursos fez com que fosse adaptado para se passar no Brasil. Acabou sendo filmado em Brumadinho (interior de MG), usando o contraste da cidade com o do museu de arte Inhotim —usado pela primeira vez como cenário de uma obra de ficção—, e Nova Friburgo (região serrana do Rio).

O material estava em vias de ser finalizado quando a pandemia estourou, fazendo com que só pudesse ser concluído depois que a vacinação avançou. Mas, para a equipe, chega na hora certa.

“Eu gostaria que as pessoas fossem ao cinema como se fossem passear em um jardim”, diz o diretor. “O mundo e o cinema estão muito marcados pela brutalidade e pela boçalidade. Acho que não é para sonegar o mundo, mas estamos precisando de um pouco de sossego, acho que pode dar um pouco de paz.”

Fonte: Acesse Aqui o Link da Matéria Original

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