Alta no preço dos combustíveis afeta diretamente a vida de muitos brasileiros | Jornal Nacional


Neste momento, quem precisa abastecer um tanque de combustível não tem para onde correr: todos estão mais caros, e isso afeta diretamente a vida de muitos brasileiros.

O sorriso de Geovana torna mais leve a vida de Leilane Xavier Chagas. A produtora de eventos tem uma rotina puxada. Toma conta da filha cadeirante e costuma trabalhar a quase 30 quilômetros de casa. Mais que um conforto, o carro é uma necessidade para elas. Mas, nos últimos meses, tem ficado a maior parte do tempo parado na garagem.

Leilane costuma usar o carro para trabalhar e para levar a filha Geovana na escola, às aulas de natação e à fisioterapia. Mas o reajuste da gasolina este ano mudou a vida da família. O jeito tem sido recorrer ao transporte público e enfrentar diariamente as calçadas esburacadas do bairro.

“Uma das ruas que a gente passa para ir para a natação é ladeira, e a ladeira é toda esburacada. Chegando no metrô, ainda tem dificuldade, porque não tem acessibilidade”, contou.

Em um posto da Zona Sul do Rio, a gasolina comum custa quase R$ 7. Com o preço tão alto, a jornalista Rita Fernandes decidiu colocar apenas dez litros.

“Está cara demais. Só para conseguir chegar em casa e depois procurar um posto mais barato, impossível. Não dá, o salário não aguenta nessa proporção”, disse.

Nos últimos 12 meses, o preço da gasolina subiu 39%, e o etanol aumentou 62%.

Um levantamento da Associação dos Motoristas de Aplicativo de São Paulo mostra que cerca de 25% dos profissionais deixaram de trabalhar nos últimos meses. Tudo porque o preço do combustível reduziu demais o ganho desses profissionais.

“Desistiram, desistiram. Eles estavam trabalhando 14 horas, 15 horas por dia. Chegava no final do dia, ele ainda ficava devendo, porque hoje o motorista usa 55% da sua diária somente com combustível”, explicou Eduardo Lima de Souza, da Associação de Motoristas de Aplicativos de São Paulo.

A Associação Brasileira de Locação de Automóveis confirma. De julho a setembro, 20 mil motoristas de aplicativo desistiram do aluguel.

“No início da pandemia, tivemos uma queda acentuada de 80% de devolução, mas, de setembro até janeiro, os motoristas voltaram quase na sua integridade. E, agora, por conta do preço do combustível, a gente está sentindo uma forte devolução dos carros”, afirmou Paulo Miguel Júnior, da Associação Brasileira de Locadores de Automóveis.

As empresas que gerenciam os aplicativos não divulgam os números de motoristas associados. Mas, para tentar conter a debandada, anunciaram este mês reajuste nos repasses de corridas.

Os combustíveis viraram um desafio para muitos brasileiros. Leilane se emociona ao pensar que, de vez em quando, ainda consegue usar o carro graças à ajuda dos pais.

“E as pessoas que não têm essa condição, que têm que ir a lugares longe para fazer tratamento dos filhos. Nossa, muito difícil”, desabafou.

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